terça-feira, 6 de julho de 2010

A UNIVERSIDADE - Solução ou Problema?

A 5 de Julho de 1966 o então presidente da jovem República da Zâmbia, Kenneth Kaunda, anunciou a conclusão da construção da primeira Universidade daquele país africano. Alguns tempos antes, tinha sido lançado por todo o território um pedido para que cada zambiano desse o que pudesse para ajudar a construção deste projecto. Os que responderam ao apelo foram muitos, dando milho, pescado ou dinheiro. Aquilo a que chamamos utopia pareceu ser a realidade zambiana daqueles dias, uma nação que apenas alguns anos antes ganhara a independência, juntara-se para criar aquilo que ficou imortalizado na mensagem dos camponeses – “Nós demos porque acreditamos que, fazendo isto, os nossos netos deixarão de passar fome”.
Passaram 44 anos, e a verdade é que a Zâmbia está hoje muito mais pobre do que estava na década de 60. Que falhou então? O que transformou o caminho certo, num trilho de pesadelo? Não haverá certamente uma única resposta para estas perguntas, mas eu adiantarei duas que merecem reflexão, até porque estão directamente relacionadas com a conjuntura portuguesa actual.
Em primeiro lugar o problema da corrupção aliada a uma ânsia de poder quase insaciável, atingiu todas as instituições, e não permitiu que estas funcionassem como deveriam. Creio que o sistema de “conhecimentos”, mais do que um sistema de conhecimento, implantado em larga escala na sociedade portuguesa actual, (ou talvez seja até um problema antigo, e quase endémico), e que atinge o sistema educativo, constitui o grande problema, e simultaneamente desafio, a vencer nos dias de hoje.
Em segundo lugar estamos criando um sistema escolar vocacionado para criar uma geração tecnicamente capaz, uma escola vocacionada para transmitir conhecimentos, e menos para os questionar, ou seja, para o debate. A Universidade deveria funcionar como de uma fábrica de cidadania activa, capaz de questionar o país e o mundo e repensá-lo, criando e inovando para gerar respostas aos novos desafios que se nos colocam.
Uma Universidade de economia que seja capaz de criar este modelo, criará a breve prazo, economistas, gestores e administradores de empresas capazes de perceberem que o sistema bancário pode ter alguns problemas sérios a resolver, mas existem sistemas bancários vivos, como a floresta, património nacional e de valor incalculável, que se não forem destruídos pelos fogos e pela estupidez humana, poderão ajudar a resolver o problema da banca financeira, injectando riqueza e possibilidades de negócio.

1 comentário:

  1. Caro António Carlos,
    Estive com o meu tio no outro dia, seu professor de História nos Salesianos, que me pediu que lhe agradecesse muito as suas palavras tão elogiosas e que lhe transmitisse os melhores cumprimentos!

    Espero que receba esta mensagem...

    Cumprimentos.

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