domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Escola de hoje será, forçosamente, o pilar social do amanhã

Escola de Hoje.
O novo, muito recente, paradigma da escola actual assenta num pressuposto básico: é preferível manter dentro do espaço escolar, (seria bom começar a debater esta diferença entre espaço escolar e escola, que não é, creio bem, exactamente a mesma coisa), todos os alunos, mesmo aqueles que por uma razão ou outra não se sentem inclinados a lá estar, do que evitar a permanência de alguns, potenciais focos de desestabilização, aos quais competiria à sociedade absorvê-los, mormente em trabalhos/empregos de menor dificuldade intelectual, (resta saber se isto existe realmente ou é em si mesmo um mito).
Por outras palavras acredita-se hoje, ou materializa-se hoje no sistema de ensino, o pensamento segundo o qual é preferível manter numa sala de aula, mesmo que os conteúdos estejam longe de ser exigentes e o sistema de avaliação rigoroso, os alunos que há alguns anos estariam condenados a não ficar por lá muito tempo.
A ideia, como muitas outras, é indesmentivelmente boa, todavia levanta algumas questões quanto à sua aplicabilidade. É que eu creio que existem diferenças substantivas entre aquele aluno que não progride porque as suas capacidades cognitivas são limitadas, mas que pode muito bem, quando devidamente orientado, ter sucesso num curso que o habilite, a sério, para uma função que se adapte às suas características, e um outro, cujo problema radica na disciplina, ou falta dela, e menos nas ditas capacidades cognitivas. O problema avoluma-se e dramatiza-se, quando misturamos na mesma sala de aula os dois casos, e em que quase sempre o aluno descrito na segunda situação adquire facilmente uma supremacia face aos restantes, criando-se com facilidade a figura de Herói da Sala, imitado por todos, e inibidor da prestação de alguns.

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